quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Quando a boiada passa

“Adeus vaca Manga Rosa, Estelina e vaidosa
Adeus a vaca Amorosa e a vaca Maracanã
Adeus a vaca Roseira, Espertinha e Neblineira
Adeus a vaca Palmeira, que vou embora amanhã”.


{...}

Quantas vezes meu pai levou o gado pras Mareta, pro Transual... Vez por mês ele voltava lá pra ver se não tinha gado doente ou vaca de bezerro. Às vezes alguma vaca dava cria e papai voltava com ela pra dar alimentação, esgotar o ubre e cuidar do umbigo do bezerrinho. Ele vinha aboiando e tocando a vaca com seu bezerrinho pela estrada. Chegando perto de casa, a gente ouvia o barulho do trote e o aboio do papai tocando a rês em direção de casa, e corria pra avisar a mamãe. Ela gritava a gente:

- Menino, abre a porteira do curral! Teu pai tá chegando, caminha, caminha!

E a gente corria pra cima do alpendre pra ver ele chegar. Quando avistava papai, a felicidade era grande! Junto com ele, vinha a vaca com sua cria. O bezerrinho parava no terreiro, escramuçava, e saía correndo atrás da mãe. Papai chegava em casa e, quando ele chamava, a gente já se tremia todinho... Ele ia dizendo:

- Menino, preste atenção, vê se esse umbigo num tá cum bixera! Vê se num passô nenhum garrancho...

{...}

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